24/04/2012

Série "Fora de Controle" na Record

Estréia dia 08 de maio na Record a série policial "FORA DE CONTROLE".
Escrito por Marcílio Moraes e Gustavo Reiz. 
Direção de Johnny Araújo e Daniel Rezende. 
No elenco principal Milhem Cortaz, Claudio Gabriel e Rafaela Mandelli. 
Produção da Gullane Filmes e coprodução da Grifa Filmes.

Preparação de Atores: Luiz Mario Vicente.

Vale conferir!!!!

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Teaser 

04/03/2012

Macbeth is alive

MACBETH está vivo!

O usurpador da vida. Ambicioso, pavoroso e covarde.
Uma viagem a mais profunda escuridão que ele mesmo não poderia imaginar. A sua própria morte.

Anos e anos tentando entender o processo do ator. O dissecamentos das personas existentes e inexistentes. O ator que finge, range e grita diante dos obscuros caminhos que o levam a câmera, ao proscênio. Os anos longe da sensação de ser eu mesmo esse "elemento" ator, acabaram. Retorno para impor, a mim mesmo, toda sorte de encantamentos que ofereci aos colegas com os quais tive o prazer de trabalhar. O encontro com os outros "eus" dissolvidos e inacabados. 

Este é um projeto que venho desenhando a alguns anos e que agora está em processo de ensaio. 
Tem a dramaturgia de Kiko Rieser e direção de Eduardo Chagas. "O Estilhaçado MACBETH" (nome provisório) em breve estará em cartaz. E eu, dividindo o palco, somente com meus fantasmas e minha obsessões. 

Até onde podemos chegar com nossa própria e obscena loucura?
Vivo para morrer! Este é o destino do "trágico personagem" Macbeth. 
E esse é o destino trágico de nossa existência.


17/02/2012

Uma foto não é nada!!!

O que é uma imagem diante do infinito da internet. Criamos e reproduzimos insanamente quase como seres compulsivos em mostrar coisas e mostrar-nos sob os melhores aspectos.


Uma imagem de um rosto o que representa?
Que histórias nos conta?
O olhar imóvel é significativo?
Bonito ou feio?
A sobrancelha e as marcas do rosto vivido me agradam?

Reféns destes julgamentos, estamos a beira de um colapso estético. Tudo corrompido pela quantidade. Quantidade essas que anda não sabemos manipular. 
Rostos, cenas, paisagens, fatos estão nivelados pelo instante do pouco olhar. Fugaz, raso, ingênuo.
"Os poetas não veem, tem visões".

Quantos ainda sobreviverão a profundidade e a essência daquilo que está diante da gente e que pode ser eternizado por um "click" ou por um deslumbramento.

Quantos?

(FAKE MAN)


23/01/2012

Mais um encontro...inevitável encontro!

(Claudio, Milhem, Luiz e Rafaela)

Aqui vai meu agradecimento aos atores Milhem Cortaz, Claudio Gabriel e Rafaela Mandelli (Minissérie "Fora de Controle" - Rede Record - Produção Gullane Entretenimentos). 

Tenho repetido que processo com atores é sempre um achado. Uma busca, procura e encontro com o inevitável. Com esses queridos não poderia ter sido diferente. Mas foi.
Um dia após o outro, no espaço das flutuações eles foram indo, indo, indo levemente na direção de suas próprias descobertas. De suas próprias imagens esculpidas, longe do lugar comum ou das obviedades metódicas.
Mérito deles. 
A mim coube o árduo ofício de estar ali. Presente. Questionando e me doando. Num tempo e lugar onde a pressão é fruto das responsabilidades, a criação da sensibilidade e a preparação da generosidade.
Isso eles tem e muito.
A Chapa tá quente pessoal. E me resta agora, distante, agradecer aos momentos de aprendizado e amadurecimento (talvez tenha sido um dos encontros com atores mais maduros que já tive) e reverenciar uma equipe disposta, apesar dos contratempos, a fazer parte de um trabalho com atores.
Ao Johnny e ao Daniel, diretores parceiros, desejo uma sequencia de ótimos dias de filmagem. 
Obrigado e parabéns...queridos! 

(sala das flutuações - espaço dos atores)

20/01/2012

Papinho...

Não me falem de métodos. 


Me falem de dissecações e esqueçamos as obviedades. 


Não preparo atores, respeito o inevitável.

19/01/2012

Toda vez...toda vez.

Toda vez que me convidam para preparar atores para um filme, seja cinema, TV ou teatro eu me questiono. Duvido. Sempre.


Que palavra e que peso é esse PREPARAR?


Despretensiosamente afirmo no meu silêncio que sou incapaz. Não sei. Tenho enorme dúvidas com essa obrigação, função, trabalho.
Vou duvidando. De mim, do diretor, do ator, do roteiro, do espaço, do tempo.
Certo de que não faço filme, não preparo atores.


Certo seria me convidarem para continuar na busca do inevitável. Em almas dissolvidas de atores poderosos e encarniçados de genialidade.


Mas preparar....sei não...

30/12/2011

O que pensam os atores?

Me redescubro no decorrer de cada novo processo de preparação.


Nada tão novo, nada tão inovador. Apenas o arrepio dorsal que invade todos os meus sistemas lógicos e irracionais.


O que pensa o ator?
O que qualquer um de nós pensa, direi eu. O que de novo há nisso?
Mas, o que pensam os atores três segundos antes de entrarem em cena, diante de um "ação" ou de um "gravando"?
Não sei. Tantas possibilidades, infinitas ou vazias.


Mas o corpo pensa. Pede. Agita. Grita. Tensiona.


Serão os tais três segundos antes do momento "pra valer" que um mundo passa pelo corpo inquieto. Diria até que TENSO!
Uma respiração mais profunda, um olhar mais atento, uma infladinha e uma concentração...Eis o resultado para tudo ir por água abaixo.
A cena sairá certa, os textos bem falados, as marcas cumpridas. Mas o estado natura em que precisamos para recriarmos a realidade ficcional tão visceral, não acontecerá.


Então, fiquem atentos aos três segundos - entre o atenção e o ação - se observem, observem aos outros e perceberão (ou não) que pensar nesta hora não serve, serve ser pensado, pelo corpo, por tudo o que se conquistou antes de estar ali, preste a agir, a atuar, a ser.


Ninguém disse que seria fácil...


Mas impossível não é!







07/10/2011

Exercício de direção. Teatro/Cinema

Direção que realizei no Teatro para Alguém com os atores Zemanuel Piñero e Paulo Vinícius.
Texto de Edison Delmiro
Direção de fotografia de Nelson Kao
Finalização de Imagem de Henrique Reganatti





09/08/2011

Exercício para jovens atores

Acabamos a oficina "Através dos olhos de Querô" no Tendal da Lapa em São Paulo. Foram mais de quatro meses onde o tempo e o espaço se fizeram ausente. Quer dizer: foi ótimo.
Instigar e ser alimentado pela vontade de conhecimento trocado e não dado é sempre muito renovador.

Aos alunos amigos espero ter deixado aquela semente de que tanto precisamos para o início de uma nova jornada. E que cada um saiba usá-la da melhor maneira possível para multiplicar o tanto que dividimos.
Ensinar a interpretar? Não. Conviver com a dúvida de que a certeza só surge quando sentimos que temos algo de bom para dar. No palco, diante da câmera, na vida. Isso foi o combinado. Espero termos conseguido.

Mas agora nova etapa. Um novo desafio. Sete curtas, sete idéias, onze atores e atrizes e nenhum tostão no bolso. Vamos em busca do cinema pobre. Não na sua pequenez, mas em estabelecer novos encontros entre, atores, enquadramentos, movimentos, encenação, estética, ética e conceito. Uma relação do humano ator com a máquina câmera, emotiva e sensível. Muito tato, muito fato e uma enorme vontade, de todos nós, em arriscar.

Não pelo cinema apenas, mas por nossas dignidades.

Avante amigos que muito ainda temos que fazer.

"SETE (nome provisório) é uma sequência de pequenos curtas criados pelos alunos. Será filmado em dois finais de semana, tendo como locação os espaços do Tendal da Lapa, local onde foi realizada a oficina."





O despreparo em preparar atores (1)

Sou um bípede ruminante e selvagem. Instinto. Insisto!

Os atores geniais não. Porque existem atores geniais não ruminantes. É verdade.

São feitos da mesma matéria dos sonhos.

Imperfeitos, translúcidos e sublimes.

A nós, que ruminamos, não há preparação que nos salve desta moléstia e deste destino.

Por fim, uns nascem, outros fazem. O que será o melhor??

01/08/2011

Entre Vales e Montanhas...e encontros

Mais uma etapa desta jornada de encontros e desencontros.
O trabalho realizado no longa de Philippe Barcinski (Entre Vales e Montanhas) foi admirável.
A preparação do jovem ator Matheus, pequenino de tudo mas grandioso nas ações, intensões e agitações, mais uma vez, tornou-se um aprendizado.

Perceber o universo infantil, sem infantilizar e muito menos amadurecer requer cuidado. Colaborar com a interpretação diante da câmera de uma criança sempre me deixa cauteloso, pois o ofício é para nós, adultos. Para os petizes, nada mais do que dias de jogos, brincadeiras e encantamentos. Sério ou não prefiro a mão suave e o caminho gentil. Sem forçar, marcar, ou mesmo exigir. São as crianças que dizem, num filme o que devem fazer, inconscientemente. Se eu puder, irei ajudá-las a encontrarem-se e a descobrirem-se.

No mais, ao diretor - e neste caso um incrível Philippe Barcinsk - cabe a difícil missão de tornar o set, com seu pequeno ator, no lugar mais colorido e zeloso do mundo.
Afinal, o olhar e a alma infantil sempre serão a busca de todo ator, por mais experiente que seja.

Parabéns Philippe, Kity (obrigado), Melissa, Ângelo e a toda generosa e talentosa equipe.


Vertigem



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(cena do filme "O sacrifício" - Tarkovski)

21/07/2011

Sou ator.

Sou ator.

Um projeto inacabado. Repleto de vazios, ausências e solidões.

Sou ator.

E tenho medo do encontro com minha real escuridão.

Sou ator.

Minto, finjo, blefo. Mas tenho um coração completamente verdadeiro.

Sou ator.

Não sou nada. Sou tudo. Imensidão.

Mais sobre projetos e trajetórias.

Um novo endereço na web sobre os trabalhos que realizei e os projetos futuros.
A multiplicidade de fazeres desaguando na tentativa de compreender cada vez mais o universo misterioso do ator. Um mundo de som e fúria.



teatro - cinema - dança - educação - oficinas



08/05/2011

Margarita Terekhova - "O espelho"


Um Andrei Tarkovsky preciso. O quase diálogo de Marguerita Terekhova em "O Espelho" traduz o sentido poético criado pelo diretor e pela atriz nesta cena. A intensidade revela-se na implosão da expressão, constituída por leveza, impulso e simplicidade. Tão delicado que chega a incomodar...


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(trecho do filme "O espelho" de Andrei Tarkovsky)

10/04/2011

Liv Ullmann.

Tempo-espaço. É físico e composto mais de ar (silêncio) do que da materilidade do texto.
Essa cena de abertura do filme de Bergman - "A hora do lobo" - revela uma Liv Ullmann, que mesmo falando para a câmera, perpassa entre fios delicados do relato autoral, ficcional, artístico e poético. Com a mesma força de quem consegue fazer uma leve pena flutuar.

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(trecho do filme "A hora do lobo" - Vargtimmen
de Ingmar Bergman - 1968)

A pessoa do ator no Pessoa poeta

PREDOMÍNIO DO SENTIDO INTERIOR

Era eu um poeta estimulado pela filosofia e não um filósofo com faculdades poéticas. Gostava de admirar a beleza das coisas, descobrir no imperceptível, através do diminuto, a alma poética do universo.

A poesia da terra nunca morre.

A poesia encontra-se em todas as coisas - na terra e no mar, no lago e na margem do rio. Encontra-se também na cidade - não o neguemos - é evidente para mim, aqui, enquanto estou sentado, há poesia nesta mesa, neste papel, neste tinteiro; há poesia no barulho dos carros nas ruas, em cada movimento diminuto, comum, ridículo, de um operário, que do outro lado da rua está pintando a tabuleta de um açougue.

Meu senso íntimo predomina de tal maneira sobre meus cinco sentidos que vejo coisas nesta vida - acredito-o - de modo diferente de outros homens. Há para mim - havia - um tesouro de significado numa coisa tão ridícula como uma chave, um prego na parede, os bigodes de um gato. Há para mim uma plenitude de sugestão espiritual em uma galinha com seus pintinhos, atravessando a rua, com ar pomposo. Há para mim um significado mais profundo do que as lágrimas humanas no aroma do sândalo, nas velhas latas num monturo, numa caixa de fósforos caída na sarjeta, em dois papéis sujos que, num dia de ventania, rolarão e se perseguirão rua abaixo. É que a poesia é espanto, admiração, como de um ser tombado dos céus, a tomar plena consciência de sua queda, atônito diante das coisas. Como de alguém que conhecesse a alma das coisas, e lutasse para recordar esse conhecimento, lembrando-se de que não era assim que as conhecia, não sob aquelas formas e aquelas condições, mas de nada mais se recordando.

Fernando Pessoa em "O Eu Profundo".
1910?

05/04/2011

Espaço do impossível

"Minha alma de ator reside neste espaço. Território das sombras e das "coisas" terrivelmente estranhas. Se alimenta do ar macilento e dos contornos disformes. É absolutamente imperiosa, doidivana e generosa. O ateliê mais lindo do mundo é a morada dos meus personagens. A casa das minhas flutuações". (ator desconhecido)


28/03/2011

...ainda Giacometti.

"Um passeio pelo inverso da imensidão humana".

É sempre uma impressão da despersonificação dos sentidos e da alma.
Giacometti amplia o entendimento da unidade que somos, tão perfeitos nestas formas delicadamente imperfeitas.

"Personas" dissolvidas. Os atores devem entender isso. Precisam.

Do branco (vazio) ao cinza incandescente (plenitude).

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Trecho editado do documentário:
"Un homme parmi les hommes : Alberto Giacometti"

3º Movimento

O príncipio das coisas não está nas coisas.
O princípio das coisas está no silêncio dramático de um ator.